
Amigo de Oscar lamenta morte e descreve ex-colega: “Líder nato”
Morreu na última sexta-feira (17) em Santana de Parnaíba, em São Paulo, Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete brasileiro. O ex-atleta passou mal em casa e faleceu a caminho do hospital.
Em entrevista ao iG, Cadum Guimarães, ex-armador e amigo próximo de Oscar, que conviveu com o astro na seleção brasileira durante a maior parte de sua carreira, revelou que ficou arrasado com a infeliz notícia.
“Estou arrasado. Eu não esperava, o Oscar partiu muito novo, eu tentei falar com ele na semana passada, mas não consegui. Achei que tinha alguma coisa errada, mas não esperava isso”, revelou Cadum.
· Oscar Schmidt foi cremado com camisa da seleção brasileira
A amizade de Cadum com o ‘Mão Santa’ começou cedo, antes mesmo dele se tornar uma celebridade nacional e um dos maiores jogadores de basquete da Europa.

Cadum Guimarães e Oscar Schmidt concentrados para a disputa do Sul-Americano de 1977
Juntos, foram ao Sul-Americano Juvenil de 1977, onde Oscar, ainda como pivô, foi eleito o melhor da posição em toda a competição. A disputa foi marcante para o ex-armador como sua primeira viagem internacional.
“Fomos para a Seleção juvenil juntos pela primeira vez, com 16 anos. Viajamos para o Sul-Americano, primeira vez que fui para fora do país. Depois, fomos juntos até as Olimpíadas de 1992, então foi uma relação ótima. Fomos companheiros de faculdade, ele passava de carro para me levar, então foi uma relação ótima. Dentro de quadra também, nunca jogamos no mesmo time, só pela Seleção, mas eu o marcava, ele me marcava, sempre com muito respeito.” Cadum Rodrigues
Com carinho e saudade, Cadum recordou um dos episódios em que eles voltaram juntos de aulas na faculdade.
“Lembro com carinho de quando saíamos juntos da faculdade, eu, Oscar e a Cris, que ainda não era esposa dele. O Oscar tinha um carro conversível vermelho, saímos da faculdade nós três, ele passava e buscava ela na faculdade, que era perto da nossa. Uma vez, saímos nós três, naquele carro, cantando a música do filme ‘Grease – Nos Tempos da Brilhantina’, que a Cris adorava, cantava, e o Oscar dava muita risada. Foi um momento muito legal”, revelou.
Citada por Cadum, Maria Cristina Victorino Schmidt viveu ao lado de Oscar por mais de 50 anos. O casal oficializou a união em 1981, permanecendo juntos por 45 anos, até a morte do ex-jogador.

Oscar Schmidt ao lado de Maria Cristina, sua esposa
Competidor
Além dos momentos fora do esporte, a dupla dividiu as quadras por mais de uma década pela seleção brasileira. Poucos podem descrever o atleta Oscar Schmidt como Cadum, que o classificou como “perfeccionista” e “líder nato”.
“Era um cara vencedor, perfeccionista, querendo sempre fazer mais e puxar os companheiros juntos. Claro que isso, em uma relação, muitas vezes não é fácil. Tínhamos discussões e discordâncias, mas sempre no sentido de querer o melhor para o grupo. Então ele, nesse sentido, foi um líder nato e um exemplo para toda a minha geração.” Cadum Guimarães
· Oscar Schmidt e Seleção de 87 causaram revolução na NBA
Três Campeonatos Sul-Americanos, um ouro pan-americano e diversas outras medalhas fizeram com que Cadum elegesse Oscar como o principal responsável pelo recomeço da ligação do público brasileiro com o basquete do país.
“O Oscar foi o cara que trouxe o basquete brasileiro de volta. Nosso basquete sempre foi muito vencedor, com um bicampeonato mundial, medalhas olímpicas. Depois de um período em que o basquete não teve sucesso, a minha geração, comandada por Oscar e Marcel, foi a que resgatou o sentimento de ver a Seleção jogar no público. Esse sentimento culminou com o nosso título em 1987, em Indianápolis”, afirmou.


