
Oscar Schmidt e Seleção de 87 causaram revolução na NBA
Morreu na tarde desta sexta-feira (17), em Santana de Parnaíba, na Região Metropolitana de São Paulo, Oscar Schmidt, aos 68 anos de idade. A informação foi confirmada por sua assessoria.
Oscar foi o principal nome da maior conquista do basquete masculino brasileiro nos últimos cinquenta anos: a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, nos Estados Unidos, em 1987.

Oscar Schmidt foi o principal responsável pela vitória brasileira no Pan de 1987
Na grande decisão, a Seleção enfrentou o poderoso time estadunidense, que ainda não contava com jogadores da NBA (principal liga do país), mas tinha diversos nomes que brilhariam na competição no futuro, como David Robinson, Pervis Ellison e Danny Manning.
Com um plano de jogo que contrariava o estilo de jogo da época, que costumava focar em infiltrações e diversas disputas de força, o Brasil priorizou as bolas de três e os arremessos de fora, surpreendendo os norte-americanos com uma vitória por 120 a 115.
Com 46 pontos anotados, Oscar Schmidt liderou a Seleção para a histórica vitória sobre os Estados Unidos.
Segundo Bill Benner, experiente jornalista local que também ocupou o cargo de diretor de comunicações do Indiana Pacers, da NBA, afirmou que o jogo foi crucial para a mudança do basquete no país, citando dois pontos: o uso de jogadores profissionais em competições de seleções e a alteração no foco das partidas para arremessos de longa distância.
“A derrota de 87, somado ao revés para a Rússia em 1988, fez o país pensar que não dava mais para mandar atletas universitários. E a outra coisa que aconteceu é que as pessoas viram como aquele time do Brasil jogava. Ataques muito rápidos, grandes movimentos com a bola e muitos arremessos. Você vê o Golden State Warriors e outros times da NBA tentando ter esse mesmo estilo.” Bill Benner, em entrevista dada ao site ‘Ge’, em agosto de 2017
Marcel, armador titular do Brasil na conquista, afirmou que a Seleção de 1987 foi a principal responsável pela revolução atual no esporte estadunidense.
“Não ajudamos na revolução do basquete, fizemos. O que mostramos há 30 anos é justamente o que é aceito pelo mundo hoje. Com os times da NBA fazendo a mesma coisa. O arremesso de três pontos deu uma nova dimensão para o jogo, abriu a quadra. As defesas não podiam mais ficar no garrafão, tinham que sair. Isso provocou um maior jogo individual, um contra um”, afirmou Marcel ao portal.
Números

Dale Ellis liderou a NBA em tentativas de três em 1986/87, com 240 arremessos
Na temporada de 1986/87 da NBA, última antes da marcante derrota norte-americana para o Brasil no Pan, as equipes da liga tentavam, em média, 4,7 arremessos de três pontos por jogo.
Na atual temporada da competição, que teve sua temporada regular finalizada no último domingo (12), o time do torneio que chutou menos bolas triplas por partida foi o Detroit Pistons, com 30,9 por noite. A média geral ficou em 37 tentativas por franquia a cada duelo.
Enquanto Michael Jordan, Magic Johnson e a maioria esmagadora dos protagonistas da época brilhavam com enterradas e arremessos da meia distância, hoje vemos cada vez mais estrelas optando pelo perímetro.

Somente na temporada regular de 2015/16, Curry arremessou 886 vezes do perímetro
Stephen Curry, que foi escolhido pelo Golden State Warriors no Draft de 2009, liderou sua equipe para quatro títulos da liga ao lado de Klay Thompson, formando a dupla conhecida como ‘Splash Brothers'(expressão que pode ser traduzida ao português como os ‘Garotos Chuá’).
Comandada pelo ex-jogador Steve Kerr, especialista em arremessos enquanto atleta, o time focava muito em movimentações rápidas e um volume altíssimo em arremessos de três pontos.


