
Polícia vê venda ilegal de camarotes no Morumbis desde 2023
Apesar da boa fase em campo e estar na semifinal do Campeonato Paulista, fora dele, o São Paulo ainda vê seu nome ligado ao noticiário policial. Assim, a comercialização ilegal de camarotes no Morumbis ganhou novos capítulos nesta quarta-feira (25).
A força-tarefa policial que investiga o esquema de exploração conseguiu evidências que a comercialização clandestina ocorreu ao menos desde 2023 em diversos shows realizados no estádio, não somente na apresentação da cantora Shakira, que revelou o esquema. A informação foi divulgada pelo GE e confirmada pelo iG.
O caso apura crimes de associação criminosa e corrupção privada no esporte, focando na exploração prolongada de camarotes. Atualmente, a investigação avança com a tomada de depoimentos. Na última terça-feira, Rita de Cássia Adriana Prado compareceu à delegacia, mas optou pelo silêncio por questões de saúde, chegando a desmaiar ao sair do local. Os próximos depoimentos agendados são os de Mara Casares e Douglas Schwartzmann.
Relembre o caso
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) pediu a abertura de um inquérito policial,para investigar o caso de venda clandestina de ingressos em um camarote do Morumbis para o show da cantora Shakira, em fevereiro de 2025.
De acordo com uma nota enviada à imprensa, o MPSP informou que vai investigar possíveis crimes de corrupção privada no esporte e coação no curso do processo.
Os principais envolvidos no suposto esquema são conselheiros do São Paulo. Douglas Schwartzmann, ex-diretor-adjunto das categorias de base, e Mara Casares, ex-esposa do presidente, Júlio Casares, e ex-diretora feminina. O CEO do clube, Márcio Carlomagno também estaria envolvido.
Em áudios mostram uma conversa gravada em que os dois tentam dissuadir Rita de Cassia Adriana Prado, que intermediava a venda ilegal dos ingressos, a não expor os envolvidos em um processo judicial contra uma revendedora, que ajudou a promover o evento.
O camarote em questão é utilizado, inclusive, pela presidência do clube e fica anexado à sala de Júlio Casares dentro do estádio. O CEO do São Paulo, Márcio Carlomagno, indicado por Casares para substituir Carlos Belmonte, na administração do futebol do clube, e principal candidato de situação na próxima eleição, também foi citado na gravação. O diretor nega que tenha envolvimento no esquema.
Caça-níqueis
Depois da operação de busca e apreensão na casa dos envolvidos no suposto esquema de venda clandestina de ingressos de camarote durante shows no estádio do Morumbis, o promotor de Justiça José Reinaldo Guimarães Carneiro afirmou que há provas suficientes que comprovam a arrecadação ilegal dentro do São Paulo.
Segundo Carneiro, que compõe a força-tarefa que investiga possíveis crimes financeiros dentro do clube, o prejuízo para a instituição foi maior e durou mais tempo do que os investigadores suspeitavam. Para ele, o Morumbis foi transformado em uma “gigantesca máquina de caça-níqueis”


