
Abel Ferreira comemorando a conquista da Libertadores de 2020
Final de tarde no jardim suspenso. Palmeiras persegue o empate contra o Sport no final da segunda etapa. Correia lança Lúcio pela esquerda. O lateral vai ao fundo, mas cruza errado. A bola vai parar na piscina do antigo Parque Antártica. O lance bizarro é seguido de um urro das arquibancadas. A turma do amendoim vai à loucura nas cadeiras cativas.
A descrição não é de um jogo que tenha acontecido de verdade, mas uma representação de jogadas que o torcedor do Palmeiras, com toda certeza, se lembra ou já viu parecidas em meados da década de 2000. Qualquer palmeirense mais antigo vai lembrar como era torcer para o Verdão durante essa época. Eram anos que pareciam que não iriam terminar e, de alguma forma, os fracassos se repetiam. Com os famosos da turma do amendorim sempre protestando atrás do banco de reservas.
Angústia e sofrimento tomavam conta dos corações alviverdes com campanhas vergonhosas, quedas para a segunda divisão e tendo que ver os rivais comemorarem títulos importantes ao longo dos anos. Um passado nem tão distante, mas, diante do que se transformou o clube nos dias de hoje, uma memória que beira o surrealismo.
Paulo Nobre a virada de chave
Tudo isso poderia estar se repetindo até hoje, se não fosse o surgimento de um nome na presidência do clube: Paulo Nobre. Torcedor fanático, o empresário, advogado e investidor assumiu a presidência do clube em 2013.
O primeiro ano do mandato foi com o time na Série B do Brasileiro, sem estádio devido à reforma do Palestra Itália (obras aconteciam desde 2010). No ano seguinte, em 2014, ele começou a organizar a casa, mas correu o risco com quase um novo rebaixamento. Foi naquele ano que ele sanou as dívidas do clube, reformulou o elenco e chegou a investir R$ 200 milhões do próprio bolso para contratar reforços. A nova queda foi evitada na última rodada do Brasileirão, já com o Allianz Parque inaugurado.
Foi a partir daí que tudo, literalmente, mudou. Com as dívidas controladas, surgiu a Crefisa, ajudando o Palmeiras a contratar reforços atrás de reforços, nomes de peso como Dudu e jogadores experientes como Zé Roberto. Tudo isso fez com que 2015 terminasse com o título da Copa do Brasil para o alviverde, em final decidida nos pênaltis diante do Santos.

Paulo Nobre em coletiva no Palmeiras
O título deu vaga para a Libertadores de 2016 para o Palmeiras e desde então o clube disputa a competição de forma consecutiva. 2016 também foi ano de título do Brasileiro para o alviverde, encerrando jejum de 22 anos sem a taça.
Ao fim de 2016, foi encerrado também o mandato de Paulo Nobre, marcando o nome dele como, para muitos, o mais importante presidente do Palmeiras.
Consolidação com Galiotte
Com a saída de Nobre, quem assumiu o clube foi Maurício Galiotte. A gestão dele marcou a consolidação do Palmeiras na briga de títulos ano após ano. Além de consolidar o Allianz Parque como casa do Verdão, fazendo com que o time construísse resultados marcantes e revertesse resultados inesperados.
Foi com Galiotte na presidência que vieram os dois títulos seguidos na Libertadores (2020 e 2021), novo Brasileirão (2018), Copa do Brasil (2020) e Paulista (2020).

Galiotte comemora o Brasileiro de 2018 com Alexandre Mattos e Felipão
Foi Galiotte também o presidente que contratou Abel Ferreira para o comando do clube. O português deu cara, jeito e forma de jogar para o Palmeiras, permanecendo no clube até hoje.
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Leila Pereira e domínio segue
Com a saída de Galiotte ao fim de 2021, Leila Pereira assume a presidência do Palmeiras.
Com ela no comando, o time continuou na briga pelos principais títulos, chegando de forma consecutiva aos mata-matas de Libertadores e quase conseguindo conquistar mais uma (vice para o Flamengo em 2025).
O mandato de Leila no Verdão vai até o fim de 2027. Com ela no poder, o clube já conquistou dois Campeonatos Brasileiros, quatro Paulistas, uma Supercopa do Brasil e uma Recopa Sul-Americana.

Leila Pereira com Abel Ferreira
Potência na América do Sul
A consolidação do Palmeiras durante esse período fez do time temido na Libertadores da América. Além dos dois títulos conquistados no período, o time, nesse tempo todo, só não chegou à fase mata-mata em uma oportunidade.
Foi exatamente em 2016, quando parou na primeira fase. Depois disso, foi até as oitavas em 2017, até a semi em 2018 e até as quartas em 2019.
Nos anos de 2020 e 2021 vieram as conqusitas seguidas, transformando o time em tricampeão da Libertadores.

Palmeiras campeão da Libertadores em 2020
Em 2022 e 2023, duas semifinais seguidas no torneio. Em 2024, queda nas oitavas para o Botafogo, que terminou com o título.
Já no ano passado, mais uma final, mas, desta vez, com o vice após derrota para o Flamengo na decisão. Desde o início da história no torneio, sãs sete finais: 1961, 1968, 1999, 2000, 2020, 2021 e 2025.
Todas as campanhas fazem do Palmeiras temido quando entra na disputa da Libertadores. O clube é o brasileiro que mais disputou o torneio na história. Com a participação em 2026, já são 26 edições na competição.


