
Cidade mineira vira a “casa” do Críquete no Brasil
Carolina Silva Nascimento, de 22 anos, encontrou ainda na adolescência, em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, uma aptidão que a levaria longe. Aprender a jogar críquete, através de um projeto social, moldou a formação acadêmica dela em Educação Física. Além disso, ela chegou à Seleção Brasileira da modalidade, onde ganhou a oportunidade de conhecer o mundo através do esporte.
Carol é arremessadora e capitã do time do Brasil que vai disputar o Campeonato Mundial de Críquete na África do Sul, em abril deste ano. Ela foi uma das jogadoras ouvidas pela reportagem do iG durante o treinamento da equipe na cidade mineira, que se transformou na casa do esporte no país.
@portal_ig Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, é o local de treinamento das Seleções Brasileiras Masculina e Feminina de Críquete, que vão disputar os campeonatos mundiais da modalidade 🔗 Veja as notícias do Portal iG e acesse o Canal do Whatsapp no Link da Bio 📲 📹 Lucca Pisani #PortaliG ♬ som original – iG
A jovem está no projeto desde 2018 quando participou de uma apresentação de críquete no Colégio Municipal Doutor José Vargas de Souza, em Poços de Caldas. Ao longo de 4 anos, ela superou etapas e chegou a titularidade da Seleção Brasileira.
O esporte que começou como brincadeira nos intervalos das aulas, ganhou proporções mundiais para ela. Carol já tem um objetivo traçado para o futuro: um dia representar o Brasil nos Jogos Olímpicos. Apesar de saber da dificuldade, ela curte o processo e agradece pelo que o críquete a proporcionou até aqui.
“Mudou a minha vida inteira. Com o críquete eu pude concluir minha faculdade. Além de ter uma vida mais saudável, conhecer diversos lugares e fazer o que a gente gosta. Viver do nosso sonho”. Carolina Nascimento, capitã da Seleção
O projeto do críquete em Poços de Caldas já influênciou mais de 12.000 jovens. Matthew Ross Featherstone, CEO da Confederação Brasileira de Críquete, possui mais de 25 anos de experiência com o esporte e foi um dos responsáveis por implementar a modalidade no Brasil. Segundo ele, de 2015 para cá, o país vem se tornando referência no críquete sul-americano.
“A Seleção Brasileira começou a dominar a parte feminina em 2015 e a masculina em 2018, 2019. A Seleção Brasileira Feminina é sete vezes campeãs Sul-Americanas, nós temos sete campeonatos Sul-Americanos. O Masculino ainda não trouxe o título principal, mas trouxe o título Sul-Americano Sub-13, Sub-15 e Sub-19. Então, nós temos títulos que vão melhorando. Nós estamos com a expectativa que o Masculino será campeão neste ano, na Colômbia” Matthew Ross Featherstone, CEO
Depois de tantos anos morando no país, o inglês brilha os olhos quando pensa no futuro da Seleção Brasileira Feminina.
“O futuro do projeto é muito grande. Eu vejo, no futuro, crescendo demais. O que nós precisamos fazer? Criar professores para ensinar o número de pessoas que gostaria de jogar. Não dá para simplesmente oferecer esse esporte para muitas pessoas sem infraestrutura de professor e de campos para jogar. Então, nós sabemos, hoje, 12.000 ainda é muito pouco, mas há a perspectiva de, logo, logo, os números vão aumentar para 20 ou 30 e nunca vai parar. O Críquete vai ser um esporte dominante aqui no Brasil” Matthew Ross Featherstone, CEO
Na mesma linha, Roberta Muretti, de 40 anos, também enxerga o esporte com otimismo. Ela acumula as funções de atleta e presidente da Confederação Brasileira de Críquete. Com a experiência, Roberta ressaltou o investimento em profissionalizar a estrutura em torno dos atletas.
“Nós decidimos investir na nossa Seleção Brasileira de Cricket em 2020, depois que a Seleção já era tetracampeã Sul-Americana e nós queríamos ver os próximos passos para o mundo global. Então, fizemos o Centro de Treinamento, trouxemos coaches de fora para ajudar nessa parte da alta performance, e dar uma estrutura de treinamento, fisioterapia, psicologia para as atletas” Roberta Muretti, presidente
Focada no Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028, Roberta contou sobre a expectativa pela disputa das competições internacionais ao longo de 2026, onde a equipe entra para ser uma das surpresas e buscar os títulos.
“2026 vai ser o maior ano de competições do Críquete Brasil. A Seleção Feminina vai jogar um campeonato na Botsuana agora em abril. Também vai jogar o maior campeonato que nós temos no nosso calendário, na Ruanda, em junho. Nós vamos para a Suíça, defender o nosso título europeu, e nós vamos jogar os Jogos Sul-Americanos na Argentina, que vai ser o primeiro campeonato que nós vamos jogar junto com o Comitê Olímpico do Time Brasil. O Masculino vai jogar no México agora em abril, eles vão jogar a classificatória para a Copa do Mundo em Bermudas, em julho, e vão jogar o Campeonato Sul-Americano, na Colômbia”Roberta Muretti, presidente

Poços de Caldas é a terra do críquete no Brasil
Conheça as regras do Críquete
O críquete é semelhante ao baseball e pode ser praticado em três categorias: test-cricket, críquete de um dia e críquete Twenty20, que será a modalidade escolhida nos Jogos Olímpicos.
Nesse formato, cada equipe é formada por 11 jogadores, incluindo uma pessoa para guardar o ‘wicket'(wicket-keeper, análogo a um receptor no beisebol ou softbol). O guardião do ‘wicket’ é a pessoa que recebe a bola que é lançada pelo lançador. Cada equipe deve ter no mínimo cinco lançadores, pois nenhum jogador pode lançar mais de um quinto dos innings programados (ou seja, quatro ‘overs’ de 20, se a partida não for interrompida pela chuva). Todos os 11 jogadores da equipe podem rebater.
Ao contrário do seu primo, o beisebol, os jogadores que rebatem (batsmen) permanecem “dentro” até serem eliminados, o que significa que cada jogador rebate apenas uma vez por jogo. Como o jogo é limitado pelo número de ‘overs’, alguns jogadores podem não ter a chance de rebater.
Uma equipe marcará ‘runs’ para cada corrida física que os dois rebatedores fizerem ao longo do ‘wicket’, exceto se a bola tiver cruzado o limite de jogo: quatro ‘runs’ se isso acontecer ao longo do solo e seis ‘runs’ se isso acontecer no ar sem que a bola toque o solo.
Ao final dos 20 ‘overs’, ou se uma equipe tiver perdido 10 ‘wickets'(o que significa que apenas um jogador dos 11 fica “não eliminado”), os innings da equipe são encerrados e o número de ‘runs’ totalizado é a pontuação da equipe. A equipe adversária dispõe, então, de 20 ‘overs'(ou 10 ‘wickets’) para alcançar esse total. Se o fizer, vence; caso contrário, a primeira equipe é a vencedora.


