
General Severiano, sede do Botafogo no Rio de Janeiro
O Botafogo entrou na Justiça para cobrar mais de R$ 745 milhões do Lyon, clube francês que faz parte do mesmo grupo empresarial. O dinheiro foi enviado ao longo dos últimos anos e não voltou. A cobrança virou duas ações no Rio de Janeiro.
Na prática, a falta desse valor mexeu no clube. O caixa ficou pressionado, contratos foram afetados e o time chegou a sofrer um transfer ban no fim de 2025, ficando impedido de contratar.
O problema começou dentro da própria estrutura do grupo Eagle Football, rede de clubes liderada por John Textor. Botafogo e Lyon operavam com um sistema de caixa único. Na prática, um clube podia enviar recursos ao outro com previsão de acerto posterior.
Foi nesse modelo que o Botafogo passou a financiar o Lyon.
Transferências somam mais de R$ 700 milhões
Entre 2024 e 2025, o clube brasileiro fez 11 transferências que somam cerca de R$ 573 milhões. Além disso, emprestou 21 milhões de euros, cerca de R$ 125 milhões, em um contrato firmado dentro do grupo.

John Textor
Há ainda um terceiro ponto: o Botafogo pegou R$ 323 milhões com um banco e repassou o valor ao Lyon. O clube francês teria assumido o pagamento dos juros, avaliados em cerca de R$ 45 milhões, mas isso não foi cumprido. A relação mudou quando houve troca de comando no Lyon.
A nova gestão rompeu o acordo de colaboração financeira e deixou de operar dentro do modelo de caixa compartilhado. Segundo o Botafogo, o clube francês ficou com os valores recebidos e não fez os pagamentos combinados.
A defesa do clube afirma que o Lyon se beneficiou dos recursos e não devolveu “quase a totalidade” dos valores.
Rompimento expõe crise no grupo de Textor
O rompimento expôs um conflito maior dentro do próprio grupo. John Textor perdeu espaço na estrutura que controla os clubes após decisões judiciais na Europa. A nova direção ligada ao Lyon passou a adotar outro caminho, o que acirrou a disputa interna.
Nos bastidores, há briga por controle e divergências sobre a condução do grupo. O reflexo apareceu no campo.
Sem o dinheiro, o Botafogo perdeu capacidade de investimento. Teve dificuldade para renovar contratos e montar elenco. A punição da FIFA no fim de 2025 foi um dos efeitos mais diretos dessa crise. Agora, o clube tenta reverter o prejuízo na Justiça.
Uma das ações cobra 21 milhões de euros e permite execução rápida, em até três dias. A outra reúne o restante das transferências feitas ao longo dos últimos dois anos.
O Botafogo afirma que vai levar o caso até o fim para recuperar os valores. Do outro lado, o Lyon ainda não detalhou como pretende responder.


