
Gattuso comandava a seleção italiana há nove meses
A Itália está sem técnico. Gennaro Gattuso deixou o comando da seleção nesta sexta-feira (3), dias depois da eliminação na repescagem européia da Copa do Mundo. A saída não é a primeira desde a ausência no mundial, na verdade, já houveram várias como a de Buffon e Gravina.
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Na prática, a seleção entra sem treinador, sem presidente da federação e sem chefe de delegação. A federação terá que se reorganizar às pressas antes dos próximos compromissos oficiais.
Gattuso pediu para sair após o fracasso na classificação. A Federação Italiana de Futebol (FIGC) confirmou a rescisão em comum acordo. Ele estava no cargo havia nove meses e tinha contrato até junho.
A queda do técnico veio logo após duas outras saídas. O presidente da federação, Gabriele Gravina, renunciou ao cargo. Gianluigi Buffon também deixou a função de chefe de delegação.
A sequência de decisões é uma mostra do impacto causado pela eliminação. A Itália, tetracampeã mundial, está fora da Copa pela terceira vez seguida.
Pênaltis na Bósnia selaram a eliminação
A crise começou na terça-feira (31), em Zenica, na Bósnia-Herzegovina. A Itália empatou por 1 a 1 no tempo normal e perdeu por 4 a 1 nos pênaltis na final da repescagem.

Bósnia x Itália
O time abriu o placar com Moise Kean, aos 15 minutos. A vantagem durou até o fim do primeiro tempo, quando Alessandro Bastoni foi expulso.
Com um jogador a mais, a Bósnia passou a pressionar. O empate saiu aos 34 minutos da etapa final, com Haris Tabakovic, após rebote de defesa de Gianluigi Donnarumma.
Na disputa de pênaltis, Pio Esposito desperdiçou a primeira cobrança italiana. Bryan Cristante também errou. Os bósnios converteram todas e garantiram a vaga.
A cena final repetiu um roteiro recente. Jogadores italianos caíram no gramado, alguns chorando, enquanto o estádio comemorava a classificação.
Caminho até a queda já mostrava desgaste
A Itália chegou à repescagem depois de falhar na fase de grupos. Apesar de cinco vitórias, ficou atrás da Noruega no saldo de gols.
A diferença começou na estreia. Fora de casa, a seleção perdeu por 3 a 0 para os noruegueses, em uma atuação sem reação.
A derrota pesou na classificação final. Mesmo com sequência positiva depois, a equipe não conseguiu recuperar a desvantagem.
Sem a vaga direta, teve que disputar a repescagem, cenário que já havia eliminado a Itália nas duas últimas tentativas de chegar à Copa.
Desde o título em 2006, o desempenho caiu. A seleção venceu apenas um jogo em fases finais de Mundial desde então e não se classifica desde 2014, na copa realizada no Brasil.
Saídas em série expõem crise e forçam recomeço
A eliminação aumentou a pressão sobre a federação. Gravina, no cargo desde 2018, deixou a presidência após críticas públicas e pressão política.
O ministro do Esporte da Itália classificou o resultado como uma derrota definitiva e cobrou mudanças na estrutura do futebol do país.
Buffon também anunciou a saída. Disse que o objetivo principal era recolocar a Itália na Copa do Mundo e que, sem isso, o melhor era abrir espaço para uma nova escolha.
Gattuso acompanhou o movimento. Com a saída do presidente, a permanência dele passou a ser tratada como improvável nos bastidores.
A federação convocou uma assembleia para 22 de junho, quando será escolhido um novo presidente.
No campo, a seleção segue sem técnico definido. Nomes como Antonio Conte e Massimiliano Allegri aparecem como opções.
O próximo jogo é um amistoso contra a Grécia, em 7 de junho. Em setembro, a Itália estreia na Liga das Nações contra a Bélgica, ainda sem comando definido.


