
Roger Machado
As justificativas de Roger Machado para a derrota do São Paulo por 1 a 0 para o Palmeiras no Morumbis, na noite deste sábado (21), não agradaram à torcida tricolor. Em entrevista coletiva após o Choque-Rei, o treinador são-paulino utilizou uma linguagem extremamente técnica para explicar o gol único anotado por Árias, meia do Palmeiras.
“Nossa subida de pressão obedeceu a regra do gatilho da bola rodada pra trás, mas teve pouca pressão e a bola inverteu de corredor. Foi um gatilho de pressão de bola pra trás, a pressão vazou”. Roger Machado durante entrevista coletiva
Pouco amistoso
Desde que foi anunciado como o novo técnico do São Paulo, substituindo Hernán Crespo, Roger Machado foi alvo de críticas e xingamentos por parte do torcedor.
Na noite de sábado (21), após duas derrotas seguidas, a torcida tricolor voltou a xingar em coro o treinador, com xingamentos de “burro” e “Fora, Roger Machado”.
“Perder nunca é bom. Busquei não lidar com o tempo sem vencer, mas lidar muito com a possibilidade de voltar para a liderança novamente. Machuca muito. Mas o que mais talvez machuque é que hoje a nossa casa estava muito bonita. Tinha 55 mil torcedores, que vieram, nos apoiaram, mesmo depois do gol, seguiram incentivando. Ficam chateados, e chateia a gente também. O início do São Paulo foi muito positivo e vai seguir sendo positivo a partir deste momento com o tempo que temos à disposição para resolver o que se apresentou agora”, desabafou o treinador após o fim da partida.
O jogo
O Palmeiras começou com mais posse e encontrou o gol na primeira escapada em velocidade. Aos 5 minutos, Arias recebeu no meio de campo, atravessou a marcação, deixou Lucas Ramon para trás e finalizou no canto para abrir o placar. Dois minutos depois, o colombiano voltou a aparecer em jogada parecida, cortou para o meio e chutou para fora, perto da trave esquerda de Rafael.
Depois do gol, o São Paulo tentou responder com mais presença no campo ofensivo. A equipe passou a circular a bola, buscou Lucas Ramon e Enzo Díaz pelos lados e teve mais posse, mas pouco ameaçou Carlos Miguel. A primeira finalização tricolor saiu apenas aos 39 minutos, quando Luciano puxou para o meio e bateu, com desvio, para fora.
Enquanto o time da casa tentava ocupar o campo de ataque, o Palmeiras levava mais perigo nas transições. Allan teve boa chance aos 29 minutos, driblou Rafael, mas perdeu o ângulo e não conseguiu completar. Na sequência, Murilo ainda arriscou de fora da área e mandou perto do ângulo. O intervalo chegou com vantagem alviverde e com o São Paulo sem transformar posse em efetividade.
O São Paulo voltou com mudanças e aumentou a pressão desde os primeiros minutos do segundo tempo. Wendell, Arboleda e Tapia entraram, e o time passou a insistir ainda mais em bolas alçadas na área. Logo no início, Danielzinho cobrou falta, Carlos Miguel afastou de soco, e Tapia ainda tentou a cabeçada no rebote. Aos 5 minutos, Wendell forçou novo escanteio, e o goleiro palmeirense voltou a aparecer com segurança nas jogadas aéreas.
A equipe tricolor manteve mais volume no campo de ataque. Marcos Antônio puxou contra-ataques, Bobadilla tentou acelerar a circulação da bola, e Luciano e Calleri reclamaram de lances com a arbitragem. Mesmo assim, o Palmeiras seguiu firme na defesa e pouco cedeu em finalizações limpas. Carlos Miguel trabalhou bem nas cobranças de escanteio e cruzamentos, sem dar rebote perigoso.

Abel Ferreira foi expulso no segundo tempo do jogo contra o São Paulo, no Morumbis
O segundo tempo também foi marcado por interrupções. Aos 17 minutos, a comunicação do VAR caiu no Morumbis, e a partida ficou paralisada. Depois da retomada, o São Paulo continuou apostando em cruzamentos, mas esbarrou na linha defensiva palmeirense. Abel Ferreira ainda recebeu cartão amarelo aos 23 e acabou expulso aos 33, depois de reclamar de uma falta não marcada em Arias.
Na reta final, o São Paulo seguiu em cima, mas sem conseguir uma chance clara para empatar. Ferreira tentou jogadas individuais, Wendell insistiu nas bolas pela esquerda, e o time da casa se lançou ao ataque até os acréscimos. O Palmeiras administrou a vantagem e confirmou a vitória mínima no clássico.


