
Árbitra paralisou jogo após médica confirmar caso de assédio em jogo do Paulista A4
O homem suspeito de assediar uma médica durante um jogo da Série A4 do Paulistão foi identificado. O caso aconteceu durante a partida entre Comercial e Nacional, em Ribeirão Preto (SP). A Federação Paulista de Futebol (FPF) enviou caso às autoridades competentes. O Comercial diz que medidas judiciais cabíveis serão adotadas contra o torcedor do clube.
A profissional atuava pelo time do Nacional e realizava o trabalho normalmente durante a partida. No entanto, no decorrer do jogo, um torcedor do Comercial passou a assediá-la.
A situação foi percebida pelo técnico do Nacional, Tuca Guimarães. Ele acionou o quarto árbitro da partida, que informou a árbitra Ana Caroline Carvalho sobre o caso.
Segundo o relato descrito na súmula pela árbitra, um torcedor teria “segurado e apontado a genitália em direção à médica da equipe do Nacional Atlético Clube, Dra. Bianca Francelino de Oliveira, que se encontrava na área do banco de reservas. Tal situação gerou início de discussão entre os jogadores reservas e membros da comissão técnica do Nacional Atlético Clube, com os torcedores posicionados próximos ao alambrado”.

Técnico e jogadores do Nacional discutem com torcedores do Comercial após denúncia de assédio contra médica
Com a denúncia, a árbitra se dirigiu até a médica, que, de acordo com a arbitragem, confirmou o caso: “Eu fui assediada”, disse a profissional.
Ana Caroline Carvalho acionou o protocolo previsto no Tratado pela Diversidade e Contra a Intolerância no Futebol Paulista, paralisando a partida.

´Árbitra paralisa jogo após médica de equipe ser vítima de assédio
A FPF, logo após o caso se tornar público durante a partida, ofereceu todo apoio à médica vítima do assédio. O jogo só foi reiniciado após a médica dizer que tinha condições de continuar na partida.
Em nota emitida após o jogo, realizado no último sábado (7), o Comercial repudiou a atitude do torcedor. Além disso, o clube destacou que o suspeito havia sido identificado pelas autoridades, que irão adotar “todas as medidas judiciais cabíveis”( veja a nota completa mais abaixo).
“O Comercial é plural e de todos. Machistas, racistas, homofóbicos e todos os tipos de preconceituosos não são bem-vindos no estádio Palma Travassos”. Comercial – em nota de repúdio
A médica é natural de Ribeirão Preto e foi contratada pelo Nacional para atuar naquela partida. O clube da capital paulista prestou apoio à profissional ( veja a nota completa da equipe mais abaixo).
“Repudiamos veementemente o assédio sofrido pela Dra. Bianca Francelino de Oliveira, médica dedicada ao atendimento de nossos atletas, que foi atacada de forma dolosa durante a partida contra o Comercial. […] À Dra. Bianca, nossa total solidariedade e admiração pela força demonstrada ao continuar no jogo apesar do ocorrido. Que episódios como esse sirvam para unir todos na luta contra qualquer forma de violência e desrespeito”. Nacional – em nota de repudio
O que diz o Comercial
Logo após a partida, o Comercial emitiu nota de repúdio e informou que o suspeito havia sido identificado. Veja a nota completa:
“O Comercial Futebol Clube repudia e lamenta o assédio sofrido pela médica Bianca Francelino, no jogo contra o Nacional, neste sábado (7).
A doutora Bianca, residente em Ribeirão Preto, prestava serviço freelancer para o clube da capital, quando sofreu atos misóginos vindos de um torcedor.
O Comercial informa que esse torcedor já foi identificado pelas autoridades e funcionários da FPF (Federação Paulista de Futebol), que adotarão todas as medidas judiciais cabíveis.
O Comercial é plural e de todos. Machistas, racistas, homofóbicos e todos os tipos de preconceituosos não são bem-vindos no estádio Palma Travassos”.
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O que disse a FPF
Antes mesmo do suspeito ter sido identificado, a Federação Paulista de Futebol emitiu nota de repúdio e prometeu rigor sobre o caso. Veja a nota completa:
“A Federação Paulista de Futebol vem a público repudiar mais um lamentável episódio de assédio, desta vez de torcedores do Comercial à médica do Nacional, em partida válida pelo Paulistão A4 Rivalo, neste sábado.
Informada do assédio, a árbitra do jogo, Ana Caroline Carvalho, acionou o protocolo previsto no Tratado pela Diversidade e Contra a Intolerância no Futebol Paulista, paralisando a partida. A equipe da FPF na partida ofereceu todo apoio à médica vítima do assédio.
A FPF enviará o caso às autoridades competentes, para que os responsáveis pelo ato criminoso sejam identificados e punidos de forma rigorosa.
O Futebol Paulista não é palco para assédio, preconceito ou qualquer tipo de discriminação e importunação. Seguiremos atentos para coibir que situações como essa se repitam”.
O que diz o Nacional
Equipe que contratou a médica para a partida, o Nacional prestou apoio à profissional e se posicionou sobre o caso:
“Presenciamos mais um episódio lamentável no ambiente do futebol.
Repudiamos veementemente o assédio sofrido pela Dra. Bianca Francelino de Oliveira, médica dedicada ao atendimento de nossos atletas, que foi atacada de forma dolosa durante a partida contra o Comercial.
A situação foi denunciada à arbitragem, resultando na ativação do protocolo de assédio previsto pelas regras da competição.
Agradecemos o pronto atendimento da equipe de arbitragem e das autoridades presentes.
À Dra. Bianca, nossa total solidariedade e admiração pela força demonstrada ao continuar no jogo apesar do ocorrido. Que episódios como esse sirvam para unir todos na luta contra qualquer forma de violência e desrespeito.
O futebol deve ser um espaço de inclusão e segurança para todos, especialmente para as mulheres que tanto contribuem para o esporte”.


